Pesquisa: Augusto de Paula Andrade ( irmão de Nelson de Andrade ) Nelson de Paula Andrade: ex campeão brasileiro dos pesos médios (década de 50) época de ouro do boxe. Tudo começou no Clube Bela Aliança, da saudosa Vila Hamburguesa, próximo ao CEASA. Um dos diretores do Clube, cedeu o quintal de sua residência, para que fosse montado um ringue de boxe, sem nenhuma estrutura adequada para a prática desse esporte. Daí surgiu IOSCA, esse era o apelido do iniciador do Nelson. IOSCA era descendente de alemães, presumo, pois tinha alguma experiência nesse esporte. A rapaziada do Clube, começou a trocar golpes sem nenhuma técnica. Nelson trocando golpes com IOSCA, demonstrou talento, deixando todos admirados. A seguir foi encaminhado para treinar no NACIONAL DA ESTRADA DE FERRO SANTOS JUNDIAÍ (LAPA) onde foi recebido pelo Sr. Martins, vetereno português que lhe ensinou os veradeiros fundamentos do boxe. Outros pugilistas mais experientes colaboraram com seu estilo de luta, considerado um dos mais bonitos da época. Sr. Mendonça, Silvio Siquielo e seguindo os passos de Nelson, iria surgir também um companheiro, Sebastião Nascimento (um pequeno grande gladiador, peso leve). Nelson, iniciou sua carreira oficial amadora no campeonato da Gazeta Esportiva = Forja de Campeões (1950). Foi campeão da Gazeta pela (FPB) Federação Paulista de Boxe, foi campeão dos novíssimos, novos e paulista pela CBB Federação Brasileira de Boxe e campeão brasileiro. Disputou o primeiro Panamericano no Perú, não sendo feliz nesta disputa, perdendo para Mauro Mina, que posteriormente já profissional (Nelson) o derrotou em São Paulo em um belo combate. Voltando ao período amador, consagrou-se campeão sulamericano em Monte Vedéo (Uruguai). Em 1952, representou o Brasil nas Olimpíadas na Finlândia (Helsique), onde em combate contra Vabile Tita (Rumeno), venceu com um golpe clássico do boxe: cruzado de direita no queixo, finalizando com um huque no figado, mas o árbitro era da (cortina de ferro), alegou golpe baixo, foi uma tremenda injustiça, pois no Brasil, Nelson era considerado um pugilista leal, tendo recebido o troféu Beffor Duarte pelo seu comportamento dentro do ringue. Naquela época, decisões Olímpicas não eram modificadas, apesar dos delegados brasileiros mostrarem nos filmes o grasso erro do árbitro. No profissionalismo foi campeão brasileiro vencendo o fortíssimo Paulo Sacomã por duas vezes. Lutou contra Dogomar Martinez em Monte Vedéo na época o melhor meio pesado sulamericano. Pela primeira vez, esse lutador foi a lona em sua carreira, mas o árbitro atrasou a contagem para que não houvesse o final da luta por NEK OUT (KO). Dogomar recuperou-se e voltou a luta, sendo que numa troca de golpes, Nelson foi atingido em um dos cotovelos, ocasionando derramamento do líquido sinuvial, obrigando-o a abandonar o combate. Enfrentou Eduardo Lausse (Argentino) ranquiado na MBA (Associação Mundial de Boxe), foi derrotado no oitavo assalto, mas surpreendeu com uma belíssima atuação. A vítória mais espetacular que Nelson obteve, segundo muitos de seus fãns, foi contra Jorge Matrik, um fortíssimo pugilista, que faixou de peso pesado para médio pesado e Nelson subiu de peso médio para meio pesado. Foi um combate de gigantes, Nelson venceu por KO (Nocaute) no terceiro assalto. O jornalista Henrique Matteuche, apelidou-o de Sugar Nelson, pois boxeava classicamente, seguindo o estilo do maior pugilista de todos os tempos, o americano Sugar Robison (peso médio). Nelson foi um pugilista de muito destaque, respeitado pelos adversários e afeccionados do boxe naquela época, estabelecendo récordes de público em diversos combates no ginásio do Pacaembú.